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Coinbase enfrenta declínio nas transações à vista: Wall Street diminui previsões antes dos resultados

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A Coinbase (COIN) divulga os resultados do segundo trimestre nesta quinta-feira após o fechamento do mercado, porém os analistas que acompanham a empresa concordam amplamente que os números principais podem importar menos do que as perspectivas da gestão para o segundo semestre do ano e o cenário regulatório em evolução.

A visão consensual é de que o segundo trimestre foi mais um período difícil para a negociação de criptomoedas. Os volumes de negociação à vista caíram em toda a indústria, à medida que os investidores permaneceram cautelosos, o bitcoin e o ether (ETH) negociaram em níveis médios inferiores aos do trimestre anterior e a participação do varejo manteve-se discreta. Os mercados de criptomoedas permaneceram sob pressão durante a maior parte do segundo trimestre, com o bitcoin perdendo cerca de 14% no período, enquanto o ether caiu cerca de 25%. Embora junho tenha mostrado alguma melhora, a maioria dos analistas afirma que não foi suficiente para compensar a fraqueza observada em abril e maio.

Onde os analistas divergem é quanto essa desaceleração afetará os resultados da Coinbase e com que rapidez os negócios mais recentes podem reduzir a dependência da empresa das taxas de negociação.

O volume de negociações diminuiu acentuadamente

Barclays, Benchmark, Clear Street e Compass Point reduziram suas estimativas antes dos resultados trimestrais, citando uma menor atividade no comércio à vista.

O analista do Barclays, Benjamin Budish, estima que a Coinbase processou aproximadamente US$ 152 bilhões em volume de negociações durante o trimestre, bem abaixo da expectativa do mercado de cerca de US$ 178 bilhões. Ele prevê que o EBITDA ajustado fique cerca de 3% abaixo do consenso, apontando para uma receita mais fraca de recompensas em blockchain e de negociações institucionais.

Owen Lau, da Clear Street, também reduziu as estimativas, projetando aproximadamente US$ 160 bilhões em volume de negociação e US$ 301 milhões em EBITDA ajustado após uma atividade de varejo mais fraca do que o esperado.

Mark Palmer, da Benchmark, também reduziu sua previsão de EBITDA para US$ 377 milhões, enquanto a Compass Point espera que a receita fique ligeiramente abaixo do consenso, mas acredita que o EBITDA estará aproximadamente alinhado com as expectativas.

A Coinbase ainda sobe e desce com a atividade de negociação de criptomoedas, uma dependência que se tornou mais evidente no último ano. A empresa investiu pesadamente para diversificar a receita por meio de stablecoins, derivativos, pagamentos, tokenização e sua blockchain Base. Esses negócios continuam a crescer, mas ainda são relativamente pequenos em comparação com a receita de transações.

Estabilidade da assinatura

Uma área em que os analistas estão mais otimistas é a receita proveniente de assinaturas e serviços.

Este segmento inclui renda de juros provenientes de USDC, recompensas de staking, taxas de custódia, assinaturas Coinbase One e serviços institucionais. Como esses negócios têm menor correlação com os volumes de negociação diários, os analistas esperam que eles ofereçam um amortecedor contra a diminuição da receita de transações.

A Benchmark espera que a receita de assinaturas e serviços “forneça sustentação”, enquanto o Barclays projeta receita próxima à extremidade inferior da orientação da Coinbase, refletindo preços mais fracos de criptomoedas e apenas crescimento modesto nos saldos de USDC. A Compass Point está um pouco mais cautelosa, argumentando que o segmento pode ficar abaixo do ponto médio da orientação da administração devido à queda nos preços das criptomoedas e ao crescimento mais lento das stablecoins.

Mercados de previsão

Embora os resultados do segundo trimestre possam parecer fracos, os analistas irão acompanhar atentamente os comentários da administração sobre produtos mais recentes.

Os mercados de previsão emergiram como um dos negócios de crescimento mais rápido da Coinbase, após o aumento da atividade em torno de eventos esportivos. O Barclays acredita que a categoria está se tornando um contribuinte significativo, enquanto a Clear Street vê os mercados de previsão como um dos vários impulsionadores de crescimento de longo prazo.

Nem todos concordam com a análise econômica. A Compass Point argumenta que os investidores podem superestimar a lucratividade porque a Coinbase registra a receita bruta enquanto compartilha a economia com a Kalshi, tornando a contribuição líquida menor do que os números principais sugerem.

Derivativos são outra área de interesse. O negócio internacional de futuros perpétuos da Coinbase e sua aquisição da Deribit proporcionam à empresa exposição a um mercado global muito maior do que o comércio à vista sozinho. Os analistas geralmente veem os derivativos como uma oportunidade de longo prazo, embora a maioria diga que eles contribuíram pouco para compensar volumes spot mais fracos durante o segundo trimestre.

Questões regulatórias

Talvez o maior debate não seja sobre o trimestre em si, mas sobre Washington.

A Lei Clarity, que estabeleceria um marco regulatório para ativos digitais nos EUA, continua sendo um foco principal para os investidores.

A Benchmark acredita que o movimento recente nas disposições de ética melhorou materialmente as chances de aprovação no Senado, tornando a legislação um dos catalisadores potenciais mais importantes para as ações da Coinbase. Por outro lado, o Barclays é mais cauteloso, alertando que o calendário legislativo continua apertado e que prioridades concorrentes ainda podem atrasar o projeto de lei.

A Compass Point é a mais cética, argumentando que o cronograma do Senado deixa pouco espaço antes do recesso de agosto e alertando que a avaliação da Coinbase pode sofrer pressão caso a legislação seja interrompida.

Os números de ganhos em si podem, em última análise, ser retroativos.

Os investidores provavelmente irão concentrar-se nas orientações da administração para o terceiro trimestre, atualizações sobre demissões e redução de despesas, progresso nos mercados de derivativos e de previsão e se a Coinbase está começando a depender menos do ciclo de negociação das criptomoedas.

Essa transição permanece como o principal debate de investimento. Os otimistas argumentam que a Coinbase está construindo de forma consistente múltiplas fontes de receita recorrente que podem suavizar os ganhos ao longo do tempo. Os pessimistas contra-argumentam que, apesar desses esforços, o negócio ainda depende fortemente da atividade varejista em criptomoedas e que o segundo trimestre deve reforçar essa realidade.

As ações da COIN negociado em queda de cerca de 1,7% a $165 no fechamento desta última quarta-feira.

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