O investimento na indústria de blockchain do Sudeste Asiático se recuperou após uma queda em 2025, mas a retomada está sendo impulsionada por um número reduzido de acordos, com investidores concentrando capital em serviços financeiros de criptomoedas e empresas mais maduras.
Empresas de blockchain arrecadaram US$ 680 milhões até agora neste ano, mais do que o dobro dos US$ 319 milhões registrados durante todo o ano de 2025, segundo um novo relatório da plataforma de inteligência de mercado Tracxn.
Apenas 25 rodadas foram concluídas em 2026, em comparação com 46 em 2025. O fato de que 206 rodadas de financiamento foram concluídas em 2022 pode indicar um mercado de financiamento mais consolidado, com um pequeno número de empresas maduras atraindo a maior parte do capital dos investidores no momento.
Um mamute Rodada Série D de US$ 400 milhões na exchange Crypto.com respondeu por quase 60% do total do ano.
Os serviços financeiros em criptomoedas foram os maiores beneficiários dessa tendência em 2026, totalizando US$ 498 milhões em 19 rodadas, um aumento de 48,4% ano a ano. Plataformas de tokenização seguiram com US$ 114 milhões, enquanto plataformas de desenvolvimento de aplicações descentralizadas atraíram US$ 77 milhões.
O total também está muito abaixo dos 2,2 bilhões de dólares arrecadados em 2022. Esse pico caiu para 386 milhões de dólares em 2023, antes de se recuperar para 804 milhões de dólares em 2025.
O funil da indústria também se estreita acentuadamente após seus estágios iniciais. De 3.957 empresas de blockchain acompanhadas pela Tracxn, 1.323 receberam financiamento via equity, mas apenas 167 alcançaram a Série A ou fases posteriores. Cinquenta chegaram à Série B, 14 à Série C e apenas quatro à Série D ou além.
Singapura domina
Geograficamente, o mercado de investimentos em criptomoedas do Sudeste Asiático basicamente começa e termina em Singapura.
O estado-cidade responde por 82,5% dos 6,2 bilhões de dólares em financiamento cumulativo para blockchain da região e abriga 2.285 das empresas monitoradas, afirmou a Tracxn. Jacarta, Indonésia, é o segundo maior polo de financiamento, representando apenas 3%.
As saídas também são um tanto irregulares. A Tracxn contabilizou 43 aquisições, mas somente quatro IPOs em todo o setor, incluindo a aquisição da CoinHako, sediada em Singapura, pelo SBI Group, e a compra da NOBI pela Bybit neste ano.
No entanto, o Sudeste Asiático já produziu seis unicórnios de blockchain, incluindo Sygnum, Bitkub, Sky Mavis e Amber Group.
Os números sugerem que o mercado de investimentos em blockchain da região teve um ano de recuperação em 2026, mas sem recriar o boom de financiamentos de 2022. O capital está se concentrando em serviços financeiros e empresas maduras, em vez de empreendimentos especulativos em estágio inicial.