O Ethereum registrou um aumento acentuado e recorde no número diário de transações e endereços ativos, mas, segundo análise do banco de investimentos Wall Street Citi, esse salto provavelmente não indica uma expansão saudável da rede.
“Essa tendência de transações é frequentemente associada a campanhas de golpe de ‘envenenamento de endereço’,” escreveram os analistas Alex Saunders e Vinh Vo no relatório desta última quinta-feira.
Uma análise mais detalhada dos dados mostra que grande parte da nova atividade consiste em transações com valor inferior a $1, um padrão mais comumente associado a golpes de “envenenamento de endereço” do que à adoção orgânica por usuários, afirmou o banco.
Os analistas explicaram que, em campanhas de envenenamento de endereços, atores mal-intencionados enviam pequenas quantias de criptomoedas de endereços de carteira que se assemelham muito àqueles que as vítimas utilizam com frequência, na esperança de enganar os usuários a enviar fundos erroneamente para o destino errado em transações futuras.
As atualmente baixas taxas de transação do Ethereum tornam barato e fácil para os atacantes gerarem grandes volumes deste tipo de atividade, inflando as métricas principais da rede sem refletir a demanda real, observou o relatório.
Essa tendência foi apontada esta semana pelo pesquisador onchain Andrey Sergeenkov, que afirmou que o recente aumento na atividade do Ethereum está intimamente ligado às stablecoins, que representam aproximadamente 80% do crescimento incomum em novos endereços.
Durante sua pesquisa, Sergeenkov rastreou transferências de USDT e USDC abaixo de $1 e isolou remetentes que distribuiram essas pequenas quantias para pelo menos 10.000 endereços únicos. Os maiores desses eram contratos inteligentes que enviavam pequenas quantias de stablecoins para centenas de milhares de carteiras, financiados por uma função projetada para financiar grandes lotes de endereços contaminados em uma única transação.
‘Comportamento malicioso’
Apesar do aumento da atividade on-chain, o desempenho do preço do ether ficou aquém do bitcoin no mesmo período, com o BTC mantendo ganhos mais estáveis, enquanto a avaliação do ETH apresentou maior volatilidade.
O preço do Ether tem se mantido estável neste ano, apresentando desempenho inferior ao do BTC, que subiu 2,4% no mesmo período. No entanto, o ETH tem tido um desempenho ligeiramente melhor que o BTC nos últimos seis meses.
De acordo com os analistas do Citi, o aparente aumento no Ethereum contrasta fortemente com o Bitcoin, onde a atividade onchain dos usuários continuou a diminuir modestamente em vez de apresentar um pico.
Essa divergência ressalta a probabilidade de que o recente aumento de atividade do Ethereum seja um fenômeno específico da rede, impulsionado por “comportamento malicioso”, e não um indicativo de crescimento mais amplo no mercado cripto.
A concorrente de Wall Street, JPMorgan (JPM), também está cética em relação às perspectivas de crescimento do Ethereum.
O banco afirmou em um relatório na última quarta-feira que, embora a atualização Fusaka de dezembro na rede tenha provocado uma queda imediata nas taxas, juntamente com um aumento nas transações e endereços ativos, questionou se a recuperação persistiria, dado a concorrência das blockchains layer-2 e cadeias rivais.