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Citi: era do dinheiro físico está ultrapassada diante da economia digital

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Driss Temsamani, executivo do Citi com quase três décadas de experiência à frente da área digital do banco, provocou uma reflexão contundente ao afirmar que o dinheiro físico se tornou incompatível com a economia digital. Durante o painel “Integrando stablecoins aos sistemas financeiros tradicionais”, promovido dentro da conferência sobre stablecoins, Temsamani destacou a urgência de criar uma nova infraestrutura financeira global, mais ágil e digitalizada.

Ele chamou a atenção para o obstáculo da interoperabilidade fragmentada, caracterizada por sistemas e bancos que mantêm bases de dados próprias e desconectadas. Isso contrasta com a fluidez dos serviços digitais que conhecemos — como redes sociais, serviços de streaming e aplicativos móveis — que constroem valor sobre um ambiente integrado e centrado em dados. Em sua visão, o dinheiro físico é o “maior concorrente” a ser superado, mais do que outras instituições financeiras ou startups, justamente por manter práticas e estruturas antiquadas.

Temsamani propõe que o setor financeiro como um todo precisa se unir e colaborar para desenvolver uma infraestrutura que trate o dinheiro físico como um problema a ser resolvido, não como uma solução. Ele propõe migrar para um sistema em que stablecoins — moedas digitais com paridade estável, geralmente vinculadas ao dólar — atuem como base de pagamento, liquidação e integração entre diferentes plataformas. Essa transição permitiria transações mais rápidas, seguras e sem ruídos entre intermediários, diminuindo custos e ineficiências que persistem no modelo atual.

A analogia com o surgimento da internet é forte: nos anos 1990, observamos o início da economia digital com o navegador Netscape, que inaugurou uma nova era de infraestrutura e desenvolvimento. Da mesma forma, vivemos agora um momento em que os dados são o centro de tudo, mas ainda tentamos acomodar sistemas financeiros legados que não se conectam eficientemente entre si. A digitalização completa do dinheiro e da forma como movimentamos valores exige superar legados que já não refletem a escala e as necessidades do mundo digitalizado em que vivemos.

Para Temsamani, esse processo não pode ser liderado por isolamentos — cada instituição com sua tecnologia própria — mas sim por uma construção colaborativa. Serviços financeiros digitais só alcançam maior importância quando pessoas, empresas e plataformas diferentes conseguem interagir em um ambiente comum, sem precisarem recorrer a adaptações manuais, conversões ou múltiplos intermediários. A própria existência de diferentes formatos e silos de dados, frequentemente geridos por cada empresa de forma isolada, gera redundância e lentidão que são inaceitáveis dentro do padrão digital que as pessoas esperam hoje.

O resultado prático dessa defasagem é uma economia financeira que ainda leva dias para processar pagamentos, falha em oferecer rastreabilidade em tempo real e mantém custos elevados — problemas que tecnologias como stablecoins podem superar, mas que exigem uma integração sistemática em nível institucional. Na visão de Temsamani, plataformas e bancos devem se conectar, criando uma rede onde o dinheiro físico seja progressivamente substituído por instrumentos digitais interoperáveis, seguros e eficientes.

Essa visão endossa a necessidade de uma revolução na infraestrutura financeira global. Em vez de cada entidade tentar criar a própria rede, o caminho seria erigir um modelo coletivo, que permite transações instantâneas, confiáveis e sem barreiras. Nesse contexto, intermediários em nome do usuário, processos manuais e sistemas fragmentados perdem sentido. O futuro é digital — e o dinheiro precisa evoluir junto.

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