A Visa lançou uma nova plataforma com o objetivo de facilitar para bancos, empresas fintech e companhias de criptomoedas a criação de produtos utilizando stablecoins, ampliando sua investida em pagamentos baseados em blockchain à medida que a concorrência no setor se intensifica.
A empresa anunciou nesta última quinta-feira que estava lançando a Visa Stablecoin Platform (VSP), um serviço empresarial que permite às instituições emitir, armazenar, transferir e resgatar stablecoins por meio de um único sistema gerenciado pela Visa. A plataforma foi lançada com suporte para Open USD (OpenUSD), uma stablecoin recentemente introduzida pela Open Standard, e inclui ferramentas para cunhar e resgatar o token, além de infraestrutura de carteira para gerenciar ativos onchain.
Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter um valor fixo, geralmente atrelado ao dólar americano. Diferentemente do bitcoin ou ether (ETH), elas são amplamente utilizadas para pagamentos, transferências transfronteiriças e liquidações, pois combinam a velocidade da blockchain com um preço relativamente estável.
A Visa afirmou que a plataforma oferece infraestrutura de Wallet-as-a-Service, conectividade com blockchain e recursos de segurança, como fluxos de trabalho de aprovação dupla, registros de auditoria e listas de permissão de transferências. A plataforma também está integrada à rede de pagamento existente da Visa, permitindo que instituições financeiras incorporem stablecoins na gestão de tesouraria, liquidação e produtos de pagamentos sem substituir seus sistemas atuais.
“As stablecoins estão abrindo uma nova camada de dinheiro programável, mas para a maioria das instituições o difícil não é o conceito, e sim a realidade operacional,” disse Jack Forestell, diretor de produto e estratégia da Visa, em um comunicado.”
O lançamento reforça a estratégia mais ampla da Visa para ativos digitais. A empresa já apoia a liquidação por stablecoin para parceiros selecionados, oferece programas de cartões vinculados a criptomoedas e ampliou os serviços de pagamento transfronteiriço baseados em blockchain.
O anúncio ocorre em meio ao aumento da concorrência no mercado de stablecoins. Open Standard, o consórcio por trás do Open USD, conta com o apoio de Visa, BlackRock, Alphabet e Coinbase (COIN). O projeto busca atrair bancos, empresas de pagamento e exchanges de criptomoedas eliminando as taxas de cunhagem e resgate, ao mesmo tempo em que retorna quase toda a receita das reservas aos parceiros de distribuição. Se bem-sucedido, esse modelo pode transferir grande parte da economia das stablecoins dos emissores para as empresas que as distribuem.
A pressão competitiva afetou a Circle (CRCL), cuja USDC é a segunda maior stablecoin do mundo, atrás da USDT da Tether. As ações da Circle caíram cerca de 5% nesta última quinta-feira e enfrentam pressão desde que o Open Standard foi revelado, refletindo as preocupações dos investidores de que novos modelos de compartilhamento de receita possam erodir a economicidade dos emissores estabelecidos.